sábado, 16 de janeiro de 2016

Melhores filmes que vi em 2015

Aqui está outra lista de "melhores do ano" com Star Wars

Um péssimo ano para política e economia, mas ótimo para cinema. Acima, cena de Donnie Darko (2001), de Richard Kelly, um de meus prediletos

Em 2015, eu gostei de Star Wars pela primeira vez. Mais especificamente de O Despertar da Força, novo episódio dirigido pelas mãos mágicas de J.J. Abrams.

Também me apaixonei perdidamente pelo documentário Histórias que Contamos (2012), da habilidosa Sarah Polley.

Soltei suspiros no cinema ao ver Mistress America (2015) e Enquanto Somos Jovens (2014), os dois filmes mais recentes de Noah Baumbach – um de meus diretores prediletos – que estrearem no Brasil ano passado.

A lista, como sempre, consiste nos melhores filmes que vi no ano, organizados pela ordem em que eu os vi. Não são, necessariamente, títulos inéditos – todos eles eram inéditos para mim, até então. É o que vale, independente de gênero também.

Peço desculpas por postar apenas agora, na metade do mês. Mas é que vários compromissos urgentes surgiram e eu tive de priorizá-los.

Sem mais delongas, abaixo, a tal lista das belezuras cinematográficas que pude apreciar em 2015 – o ano em que a política e a economia brasileiras foram para o beleléu, mas pelo menos deu para curtir uns bons filmes:

Grandes Olhos (Big Eyes, 2015), de Tim Burton
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014), de Damien Chazelle
Livre (Wild, 2014), de Jean-Marc Vallée
Sonata de Outono (Höstsonaten, 1978), de Ingmar Bergman
Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, 2014), de Matt Reeves
O Abutre (Nightcrawler, 2014), de Dan Gilroy
Uma Secretária de Futuro (Working Girl, 1988), de Mike Nichols
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, 2014), de Bennett Miller
Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars, 2014), de David Cronenberg
Kingsman: O Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2014), de Matthew Vaughn
Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit, 2014), de Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Caché (2005), de Michael Haneke
Caverna dos Sonhos Esquecidos (Cave of Forgotten Dreams, 2010), de Werner Herzog
Histórias que Contamos (Stories We Tell, 2012), de Sarah Polley
A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006), de Florian Henckel von Donnersmarck
A Difícil Arte de Amar (Heartburn, 1986), de Mike Nichols
A Irmã da Sua Irmã (Your Sister’s Sister, 2011), de Lynn Shelton
A Felicidade Não Se Compra (It's a Wonderful Life, 1946), de Frank Capra
Sem Garantia Nenhuma (Safety Not Guaranteed, 2012), de Colin Trevorrow
Enquanto Somos Jovens (While We're Young, 2014), de Noah Baumbach
What Happened, Miss Simone? (2015), de Liz Garbus
Harry & Sally: Feitos um para o Outro (When Harry Met Sally..., 1989), de Rob Reiner
Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940), de Alfred Hitchcock
Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert
Eu, Você e a Garota que Vai Morrer (Me and Earl and the Dying Girl, 2015), de Alfonso Gomez-Rejon
Longe Deste Insensato Mundo (Far from the Madding Crowd, 2015), de Thomas Vinterberg
Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade (Cowspiracy: The Sustainability Secret, 2014), de Kip Andersen & Keegan Kuhn
A Caça (Jagten, 2012), de Thomas Vinterberg
Ida (2013), de Pawel Pawlikowski
Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977), de Steven Spielberg
A Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015), de Guillermo del Toro
Mistress America (2015), de Noah Baumbach
Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens, 2015), de J.J. Abrams
Um Sopro de Esperança (Brassed Off, 1996), de Mark Herman
Perdido em Marte (The Martian, 2015), de Ridley Scott

Vale destacar:

Histórias que Contamos

A diretora Sarah Polley já havia me mostrado que é boa no que faz quando, anos atrás, vi o drama Longe Dela (2006), também escrito por ela. (E talvez você a conheça das atuações elogiadas dela em Minha Vida sem Mim e A Vida Secreta das Palavras.)

Todo burburinho que Histórias que Contamos gerou quando foi exibido em festivais de cinema mundo afora acabou me fazendo querer ver este filme, o mais recente dela. Adiei isso durante muito tempo, mas um dia segui o ímpeto de vê-lo de uma vez por todas e apagá-lo da minha lista de "para ver".

Resultado: nunca um documentário mexeu tanto comigo quanto este. Nunca gostei tanto de um documentário. Quando ele acabou, eu só podia dizer uma palavra: "uau".

No longa, Polley retrata a investigação que ela fez para descobrir quem é, afinal de contas, seu pai biológico. A diretora entrevista membros da família e mergulha em histórias do passado na tentativa de juntar as peças e compreender sua origem.

Mas não se preocupe: não é nada pesado. É tocante, engraçado e imprevisível.

A grande sacada de Polley é brincar com a linguagem do próprio cinema, uma mídia para se contar histórias, para contar a história de sua família de contadores de histórias: artistas, de modo geral.

Chance grande de pelo menos uma lagriminha escorrer do olho.

As histórias que vivemos também são parte de quem nós somos. E fazemos parte da história de outas pessoas.



Mistress America e Enquanto Somos Jovens

Noah Baumbach é um de meus diretores prediletos. A Lula e a Baleia (2005) e Frances Ha (2012), películas pelas quais ele é mais conhecido, são há muitos anos as que eu cito quando alguém me pergunta: "quais os filmes que não faltariam na sua lista de preferidos da vida?"

A sorte dos brasileiros em 2015 foi ter a chance de ver nas telonas, no mesmo ano, os dois filmes mais recentes dele: Mistress America e Enquanto Somos Jovens.

Ambos trazem as melhores características do diretor: senso de humor que varia entre o inteligente, sutil e obscuro; simplicidade; histórias envolventes, vividas por pessoas comuns em momentos-chave de suas vidas; e frescor no desenrolar dessa coisa toda.

E também fecham a "trilogia de Nova York" – como tem sido chamada informalmente – iniciada por Frances Ha, que teve destaque na minha lista de 2013.

Os dois trailers abaixo te apresentam a sinopse de cada um:




Que Horas Ela Volta?


Para mim, este filme surgiu em um momento político pertinente.

Enquanto setores conservadores e elitistas se doem pelo período de governo do PT, marcado por alguns avanços sociais (sem elogio, só constatação de fato mesmo), a comédia dramática de Anna Muylaert é protagonizada por quem está no lado mais fraco dessa corda.

A empregada doméstica nordestina Val (Regina Casé, em ótima atuação) trabalha num casarão da high society de São Paulo. Por morar no quartinho da empregada, ela pede autorização aos patrões para receber a filha, Jéssica (Camila Márdila, tão admirável quanto Casé), que vem para a capital com o objetivo de passar no vestibular.

As duas não se veem há muitos anos, pois Val deixou sua terra natal para trabalhar na cidade grande, e acompanhou a criação de Jéssica à distância. A moça, ao contrário da mãe, tem raciocínio afiado e não convive bem com alguns comportamentos da família rica da casa em que está hospedada.

A delicada situação é o ponto de partida para as várias reflexões que o filme propõe: sobre nossas origens e a importância delas, autoestima, mudança de época e valores, entre outras.




Star Wars: O Despertar da Força


Antes disso, cheguei perto de gostar de O Império Contra-Ataca (1980), que acho bom. Confie em mim: eu realmente vi e pensei a respeito da saga de George Lucas. Revi todos os seis episódios anteriores pela segunda vez. E minha conclusão é: quanto mais longe seu criador está, melhor fica Star Wars.





Gostaria de ter colocado na lista, mas não deu:

Quarteto Fantástico


Uau, que balde de água fria.

Não acho que este filme seja péssimo, como muitas críticas por aí disseram. Acho isso um exagero. O novo Quarteto Fantástico é bom – mas, infelizmente, não tanto quanto ele mesmo precisava.

O longa dirigido pelo promissor Josh Trank vai bem até tropeçar no terceiro ato, quando uma brusca quebra de ritmo, efeitos visuais mal acabados e pontos da história não concluídos começam a fazer perder estatura o que alçava um gracioso e interessante voo. Os erros não eliminam, necessariamente, os acertos. Na verdade, a existência de ambos ao mesmo tempo, e praticamente na mesma quantidade, é o que compromete o todo. Falta coesão. E é por isso que fico frustrado: o potencial da obra de Trank está claro em algo que acaba desandando.

A perda é mútua, pois os fãs do Quarteto mais uma vez encontraram um filme que fica aquém do que os gibis têm o potencial de render. E a Fox, mais uma vez, mostrou incompetência para fazer uma boa adaptação da Marvel que não seja X-Men.



Meu 2016 no cinema começou com pé direito: vi Carol, de Todd Haynes, e adorei. Uma pena não ter sido indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme e diretor.

E que venham mais filmes!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

X-Men ganhará duas novas séries de TV, 'Hellfire' e 'Legion'

Os quadrinhos dos X-Men ganharão duas novas adaptações – e, desta vez, serão para a tevê. Nesta quarta-feira (14), a Fox confirmou a produção de Hellfire e Legion, em parceria com a Marvel.

Baseado na sociedade mutante e clandestina Clube do Inferno (originalmente "The Hellfire Club"; arte abaixo), Hellfire será ambientada na década de 1960 e protagonizada por um jovem espião que vigia uma mulher superpoderosa com ambição de dominar o mundo em parceria com o Clube. Será exibida pela Fox.


(Reprodução)

Legion se baseia na história de Legião, ou David Charles Haller, filho do Professor Xavier (arte abaixo). O jovem tem superpoderes e esquizofrenia, e passa a considerar reais as vozes e visões que tem na mente após conhecer um estranho em mais uma de suas internações em hospitais psiquiátricos. Legion será exibida pelo FX, canal do grupo Fox.

As duas primeiras séries de TV em live action com os mutantes da Marvel serão produzidas por Bryan Singer e Simon Kinberg, diretor e roteirista do filme X-Men: Apocalypse (estreia em maio de 2016), respectivamente.

Lauren Shuler Donner, produtora de todos os filmes dos X-Men, também vai trabalhar nas duas séries, assim como Jim ChoreyJeph Loeb, JD Payne e Patrick McKay.

(Reprodução)

Os showrunners de Hellfire serão Evan Katz (24 Horas) e Manny Coto (Dexter). Noah Hawley (Fargo) vai escrever o episódio piloto de Legion, no qual também será produtor executivo. John Cameron também produz esta última.

O Clube do Inferno apareceu no filme X-Men: Primeira Classe (2011), também ambientado nos anos 60. Os vilões que enfrentaram os X-Men foram Sebastian Shaw (Kevin Bacon), Emma Frost (January Jones), Maré Selvagem (Álex González) e Azazel (Jason Flemyng).

O grupo fez sua primeira aparição nos gibis em Uncanny X-Men #129, publicado em 1980. Legião estreou em New Mutants #25, cinco anos depois.



domingo, 9 de agosto de 2015

Resenha: 'Quarteto Fantástico', de Josh Trank

(Imagem: Divulgação/Fox)

Quando o norte-americano Josh Trank foi anunciado em 2012 como diretor de um novo filme baseado no Quarteto Fantástico, supergrupo icônico da Marvel, não se tratava de uma contratação ordinária. Naquele mesmo ano, Trank colhia merecidos bons frutos vindos de seu primeiro longa-metragem, Poder sem Limites. A imprevisível ficção científica mostra três adolescentes que ganham habilidades sobrenaturais após entrar em um misterioso buraco no chão e se transformam em arquétipos das histórias de super-heróis. O orçamento era modesto, mas a ambição de Trank, à época com 27 anos, era colossal. Poder sem Limites lucrou mais de US$ 120 milhões nas bilheterias – dez vezes mais que o investido – e fez a crítica aplaudir a inventividade da obra ao renovar a estética de gravação caseira e a boa condução tanto do drama quanto dos efeitos especiais. O excepcional primeiro passo garantiu ao diretor, na mesma 20th Century Fox que abrigou seu primeiro filme, a oportunidade de comandar o esperado Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2015), reinício da franquia cinematográfica recém-lançado.

Com roteiro assinado por Trank, pelo produtor Simon Kinberg e Jeremy Slater, o filme chega carregando nas costas a responsabilidade de superar os outros três desastrosos que o antecederam. O primeiro, de 1994, é tão ruim que chega a ser risível – uma das pérolas dos filmes B produzidos por Roger Corman. Nem foi lançada comercialmente. Onze anos depois, já sob as asas da Fox, outra tentativa de adaptação foi feita. Rendeu dois filmes dirigidos por Tim Story, lançados em 2005 e 2007. São tolos e rasos que doem.

A tarefa do novo diretor, então, não era necessariamente difícil. Em tom de correção desse passado, o novo Quarteto consegue ir além de superá-lo. Ele chega com a grandeza de quem tem forte identidade.

Baseado na elogiada fase dos quadrinhos chamada Ultimate (2004-09), criada por Brian Michael Bendis, Mark Millar e Adam Kubert, Quarteto se inicia com 15 minutos brilhantes que referenciam produções de Steven Spielberg da década de 1980 pelo antológico estúdio Amblin, como De Volta para o Futuro, Os Goonies e E.T. – O Extraterrestre. O novo Quarteto Fantástico, segundo o diretor, é uma “Amblin sombria”. Trank também buscou inspiração em clássicos de David Cronenberg que misturam ficção científica e terror: A Mosca e Scanners – Sua Mente Pode Destruir, também dos anos 80. O estilo body horror de Cronenberg, as más consequências de façanhas científicas e o absurdo também fazem parte do pacote concebido por Trank. E é com essas influências que ele nos apresenta sua visão do quarteto Marvel.

O ambicioso cientista Reed Richards (Miles Teller) é convidado por Franklin Storm (Reg E. Cathey), presidente de um instituto que recruta jovens talentos da ciência, a se juntar a um projeto que busca deslocar matéria para outras dimensões. Richards irá trabalhar com a eficiente Susan (Kate Mara) e o rebelde Johnny (Michael B. Jordan), filhos de Storm. Arrogante, porém essencial à empreitada, Victor von Doom (Toby Kebell) também é recrutado. Ele amarga ressentimentos por um passado conturbado com a família Storm. Victor é um ex-prodígio desgarrado de Franklin e tem uma paixão não correspondida por Sue. Ben Grimm (Jamie Bell), amigo de infância de Reed e colega de experimentos científicos, também entra no projeto.

O trabalho em conjunto do grupo dá certo, mas só em parte. Ao voltarem de uma viagem à outra dimensão, eles sofrem efeitos colaterais. Reed se torna capaz de esticar seu corpo como se fosse de borracha. Sue pode ficar invisível e projetar campos de força. Johnny se torna uma tocha humana. Ben agora é um monstrengo de pedra. Victor pode mover objetos com a mente, sofre graves danos em sua pele e é o único que não consegue voltar da dimensão. São cenas horrorizantes e de deixar os nervos em frangalhos. Os jovens ambiciosos que contestam instituições antigas e buscam conhecimento ganham, literalmente, superpoderes. Ou "anomalias", como define Sue. Agora eles são Sr. Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana, Coisa e Doutor Destino.

 Jordan (à esq.) e Kinberg: o ator negro foi rejeitado por parte dos fãs dar vida ao herói Tocha Humana, originalmente branco; o roteirista e produtor teria sido instrumento de interferência da Fox (Imagem: Collider)

Impossível Quarteto Fantástico não fugir da frequente história de origem em filmes de super-herói, mas Trank acerta ao fazê-la conceitualmente – a forma mais original possível. Focado em personagem, Quarteto os constroi com sutilezas e desenrola sua história sem pressa. O tom é de seriedade e chega a ser melancólico em alguns momentos – embora haja alívio cômico em Johnny –  e isso o diferencia radicalmente de seus antecessores e dos vários últimos filmes de heróis dos últimos anos. Não há festejo sobre os superpoderes. Os personagens estão desolados. O supervisor do projeto tem interesse em militarizá-los.

O elenco de Trank é eficiente e esse é um dos melhores aspectos do filme. Teller vem de uma recente atuação elogiada em Whiplash. Mara e Cathey têm indicações ao Emmy pela série House of Cards. Jordan tem aclamação crítica por Fruitvale Station. Bell tem atuação faiscante em Billy Elliot. Kebell é marcante em Controle.

No entanto, o promissor conjunto de ideias e acertos que compõem Quarteto Fantástico não diminui os erros na tela.

Ben e Victor carecem de profundidade, assim como os efeitos especiais, em alguns momentos, de capricho. No terceiro ato, há uma crassa quebra de ritmo. Neste momento, a ótima ficção científica de Josh Trank apresenta um problema de identidade. Começa a se transformar em um filme de super-herói. Surge uma inexplicável pressa para concluir a história. Não há encaixe com o ritmo narrativo usado antes. É como se fosse um remendo, e dos mais desastrados.

E talvez seja.

Diretor versus estúdio

Pelo menos é o que sugerem diversos boatos. Rusgas nos bastidores entre Trank e Fox teriam relação com isso. A ambição autoral do diretor teria colidido com a lógica de lucro dos grandes estúdios. Além disso, muito se falou do comportamento do diretor no set. Trank teria sido pouco comunicativo, teve dificuldade de tomar decisões e postura de confronto para interagir com os colegas. Aconteceram refilmagens das cenas finais e Trank esclareceu no Twitter que elas foram comandadas por ele próprio, e não pelos produtores Kinberg e Hutch Parker, como diziam sites de cinema. Stephen Rivkin, indicado ao Oscar pela edição de Avatar, foi chamado para ajudar a concluir o filme. O diretor desapareceu da divulgação.

O desconexo terceiro ato na tela e as explicações nem um pouco convincentes sobre as tais rusgas que Kinberg e Trank fizeram uma entrevista ao Los Angeles Times não fazem os boatos perderem força – pelo contrário, pouco esclarecem o caos. Pessoas ligadas à produção de Quarteto Fantástico têm falado anonimamente à imprensa sobre o assunto. Os pontos de vista são divergentes.

Trank no set de filmagens (Imagem: Collider)

A Entertainment Weekly ouviu que a Fox teria levado o diretor à exaustão, cortou dezenas de milhões de dólares do orçamento (avaliado em US$ 122 milhões) e forçou diversas mudanças.

Na última quinta-feira (6), após várias críticas bombardearem o filme, em um tweet rapidamente deletado, Trank ateou fogo à situação: “Um ano atrás, eu tinha uma versão fantástica para isso [Quarteto]. Teria recebido excelentes críticas. Você provavelmente nunca a verá. Essa é a realidade, entretanto”.

Fontes da EW alegaram à revista que a ausência de Trank do marketing tinha a inteção de protegê-lo da opinião pública, o que contradiz as sugestões de que ele foi, na verdade, calado pela Fox.

Um filme escrito por Kinberg para a nova leva de Star Wars da Disney teria Trank como diretor, mas ele deixou o cargo alegando que precisava de dedicar a projetos menores para se recuperar do cansaço que Quarteto lhe trouxe.

Por ora, será difícil de saber objetivamente o que aconteceu durante as filmagens de Quarteto Fantástico. O falatório precisa ser trocado por verdades – e isso é praticamente impossível, uma vez que grandes estúdios escondem picuinhas de bastidores como segredos de estado.

Outras dúvidas são se um dia conheceremos a versão original de Trank para este projeto ao qual ele se dedicou com tanta paixão; o que acontecerá com sua carreira, ainda no início; e se a sequência agendada para 2017 acontece ou não.

Desde o início da produção do novo filme, ele tem enfrentado grande negatividade do público diante do projeto. Quando Michael B. Jordan, negro, foi contratado para dar vida a um personagem originalmente branco, os fãs xiitas dos quadrinhos não pouparam veneno nas redes. Agora, são críticas exageradamente negativas que têm afogado o filme. A bilheteria neste primeiro fim de semana foi péssima.

“Acho que uma parte de mim precisa da adversidade do resto do mundo para eu me sentir motivado a provar às pessoas que elas estão erradas”, disse Trank, em outra entrevista ao LA Times. “E eu fiz cada escolha neste filme sabendo que as pessoas as questionariam.”

Ultimate Fantastic Four #39, na arte Salvador Larroca (Imagem: Reprodução)

O resultado final é um filme de ficção científica dos bons versus um filme de super-herói de linha de produção; a perceptível rixa entre um diretor de ambição autoral versus um grande estúdio capitalista. O cinema baseado em gibis de super-heróis podia ter ganho um de seus grandes momentos.

Vale ressaltar que os deslizes não comprometem os acertos de Quarteto Fantástico, mas ele com certeza não é a formidável adaptação que a família da Marvel tem o potencial de render. Três tentativas e muitos anos de espera entre elas não bastaram para isso acontecer.

A perda é mútua.


PONTO POSITIVO A ideia conceitual de Trank para o Quarteto é formidável, mas...
PONTO NEGATIVO
... a mudança de ritmo no terceiro ato é um balde de água fria
AVALIAÇÃO 
Bom

Estreou quinta-feira (6/8). Classificação indicativa: 12 anos. Duração: 100 minutos. País: Estados Unidos. Distribuição: 20th Century Fox.